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Por que o Brasil não consegue detonar com a dengue?

Porque é impossível exterminar o Aedes aegypti, principal transmissor do vírus da dengue e que causa a doença.

Crescimento acelerado da população urbana, clima tropical – quente e chuvoso – e características reprodutivas do mosquito tornam o Aedes imbatível em nosso território. Mas essa derrota não é exclusividade nacional: a Europa é o único continente livre da dengue e até um país desenvolvido como a Austrália ainda padece com epidemias frequentes.

Até que seja desenvolvida uma vacina, “controlar a população de mosquitos é mais eficaz do que tentar erradicar a doença, o que já aconteceu na década de 1970, quando pouco mais da metade de nossa população vivia em cidades e ainda não se falava em aquecimento global”, explica o infectologista Marcelo N. Burattini, da Unifesp, em São Paulo.

PINTOU UM CLIMA

Em épocas chuvosas, as fêmeas do Aedes encontram mais água parada para desovar, o número de mosquitos aumenta e os registros de dengue disparam. Abaixo de 25 ºC, as larvas se desenvolvem mais lentamente, a população de Aedes diminui e o número de casos desaba.

BICHO URBANO

Aglomeração de pessoas facilita a vida do Aedes.
A fêmea precisa de sangue humano durante a gestação. A cada picada, o mosquito pode contrair o vírus de alguém contaminado ou passá-lo para quem ainda não tem. Por isso, locais com muita gente – como as cidades – são perfeitos para o mosquito se multiplicar e aumentar o poder de transmissão do vírus.

ARMAS BIOLÓGICAS

Fêmeas infectadas podem transmitir o vírus para as larvas.

  • 1 500 ovos são postos pela fêmea durante a vida – de 150 a 200 por gestação;
  • 15 meses é o período que os ovos suportam em superfície seca, mantendo os embriões vivos;
  • 30 minutos é o tempo que os ovos levam para eclodir em contato com a água, liberando as larvas;
  • 40% de chance de os embriões herdarem o vírus da fêmea infectada;
  • 4 tipos de vírus diferentes dificultam o desenvolvimento de uma vacina eficaz contra a dengue.

FEBRE MUNDIAL

No mundo todo, regiões tropicais com clima quente e úmido são habitadas pelo Aedes aegypti e estão sob risco de epidemia. Pessoas contaminadas circulando entre vários países também espalham o vírus pelo planeta.

OCUPAÇÃO MÁXIMA

Cidades com mais de 4% dos imóveis infestados por ovos, larvas ou mosquitos correm o risco de abrigar surtos de dengue. Para controlar epidemias, o ideal é manter o índice abaixo de 1%.

BERÇO ESPLÊNDIDO

Principais berçários do Aedes em cada região do Brasil.

  • LIXO
    No Norte e no Sul, cerca de metade dos Aedes nascem em latas, pneus e outros entulhos que acumulam água e servem como ninho para o mosquito.
  • RESERVATÓRIOS DE ÁGUA
    Quase toda a população nordestina do Aedes se desenvolve a partir de poços, tonéis, caixas-d’água e outros reservatórios hídricos.
  • AMBIENTE DOMÉSTICO
    Pouco mais da metade dos focos no Centro-Oeste e no Sudeste ocorrem em residências – principalmente em vasos e pratinhos de plantas, calhas e piscinas.

Fonte: http://mundoestranho.abril.com.br/

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